Aos quarenta é quando tudo Começa....
Quando fiz 30 anos escrevi um post sobre as transformações a mim me impostas pelo fenômeno balzaquiano. Falava, sob o ponto de vista de uma rainha do lar, que ganhara a sua primeira toalha branca de linho da sogra. Hoje me dei conta de que a década passou voando, e que olhando daqui já posso vislumbrar os meus 40 anos.
Não sei se por conformismo ou otimismo, eu tenho para mim que a vida deve mesmo começar aos 40. As fases começam a ficar mais claras e distintas, daqui do alto dos 38. Vejo a infância bem definida até os 12, o início da adolescência aos 13, estendendo-se até o que eu chamaria de uma fase pré-adulta, dos 21 aos 28, quando eu comecei a me sentir uma mulher feita, fato consumado apenas aos 30. Até ali tudo havia sido descoberta, a construção do meu banco de dados; foi aquela enxurrada de sensações e frustrações e paixões, tudo numa intensidade louca, um querer tudo de uma vez, uma ótica um tanto desfocada. Aos 30 foi um arrumar de caixas, um descartar de excessos, um desafogar das malas de minha existência, um escolher de caminhos, um perseguir de metas, um abrir de espaços, um estabelecer-me. E quando os 40 chegarem, os valores já estarão muito claros, já conquistei um pequeno espaço no mundo, é hora de trabalhar num ritmo menos frenético, rir-me de asneiras distantes, de ficar o bonita que falta, de trocar definitivamente a quantidade pela qualidade, despir-me das últimas futilidades, fechar no salto adequado, investir só nos basiquinhos Levis-Zara, viajar, ler todos os livros da estante, abandonar-me na rede, entregar-me ao ócio, fazer ioga, chega de pressa, poucas e boas.
E não seria isso o que queriam dizer os que criaram a expressão “a vida começa aos 40”? E que enorme alegria descobrir aos 39 que isso deve ser verdade! Então quer dizer que tenho a vida toda pela frente?
O meu palpite é que aos 40 a rainha do lar que existe em mim vá buscar um pouco mais de conforto nas toalhas brancas, sem preocupações com o fato de que são mais fáceis de encardir, e bem certa de que a felicidade reside numa toalha muito branca. E mais:
Alguns milhares de fios nas tramas dos meus lençóis!
Mais saúde no meu prato!
Mais espaços vazios em casa!
Mais silêncio, menos telefone!
Uma horta!
Um supermercado sem fila e sem tomate podre!
Tickets pela internet, entregues em casa!
Um cepo!
Mais duas panelas Le Creuset!
Um fogão enorme!
Uma cama de cinema vestida de branco, BRANCO, BRAAAAAAAAAAAAANCO!
Restaurante sem fila de espera!
Ar condicionado, não precisa, prefiro o vento.
Prédio de luxo, não precisa, prefiro os velhos.
Direção hidráulica, precisa.
Só isso. Ah! E se der, um ofurô também!
Solicitante: uma formiguinha, trabalhadeira incessante desde os 15.
Não perca daqui a 10 anos o post 50? Já? - O abraçar de árvores (embora eu já me sinta impelida a fazê-lo).
P.S.: As unhas provavelmente permanecem vermelhas, e o batom, cor de boca; cabelos curtos, suponho - começo a considerar pintá-los (tá demais, tô grisalha, gente!).
Nenhum comentário:
Postar um comentário